Luanda, Angola
Humor

Kotingo

  • Nome: Edgar Simone Tchipóia ‘Tio Kotingo’
  • Natural de: Benguela
  • Estado Civil: Casado
  • Data de nascimento: 07/02/1983
  • Filhos: 2
  • Perfume: Lomani e Cobra
  • Ídolos: Os Tuneza e Calado Show
  • Prato preferido: Arroz com Feijão
  • Frase: Deus guia meus passos
Pela forma peculiar como se apresenta nos palcos, levando a alegria ao público e provocando ataques de risos, com as suas anedotas contadas num impecável sotaque típico do Sul, Edgar Simone Tchipóia ou simplesmente Tio Kotingo, deu os primeiros passos como humorista em Benguela, sua terra natal. Mas foi em Luanda que o “comediante” conseguiu ganhar notoriedade tornando-se num dos humoristas mais aclamados pelos apreciadores da arte.
Em conversa com a VIDA, Edgar Simone Tchipóia revelou que o personagem carismático por si interpretado, denominado Tio Kotingo, foi adoptado. O artista contou que apesar de não saber o significado do nome, existe realmente um indivíduo que possui as mesmas características do personagem e que vive em Benguela.
Captura de ecrã 2015-05-11, às 12.40.45“Tive o primeiro contacto com o Tio Kotingo em Benguela, ele trabalhava numa empresa de construção civil, de maneira que o meu pai o contratou para fazer obras em nossa casa… Fiquei fascinado com o seu falar, pois conseguia chamar a atenção de todos, enquanto se pronunciava. O seu sotaque era muito engraçado, daí decidi personifica- lo no meu personagem” sublinhou.
Edgar Simone Tchipoia, ou Tio Kotingo, como é popularmente conhecido, salientou que o lado artístico, virado para o humor é uma característica familiar; desde muito cedo vem mostrando os seus dotes humorísticos. Todavia, nem sempre tencionou percorrer uma carreira como tal, pois que almejava tornar-se um empresário bem-sucedido.
O comediante realçou que foi no aniversário de um amigo, há seis anos, que decidiu contar anedotas para que as pessoas se distraíssem, e para o seu espanto, as pessoas gostaram e começaram gravar as suas pequenas apresentações. No dia seguinte, as imagens já tinham sido espalhadas, e passados alguns dias recebeu um convite para actu- ar numa festa.
“Convidaram-me para actuar na festa de um banco em Benguela, na altura havia cobrado 10 mil kwan- zas, mas eles recusaram, dizendo, ‘vamos te dar seis mil kwanzas e já vais a rir’! Aceitei, mas actuei a noite toda com o rosto para o chão, porque tinha vergonha”, recordou o artista.
E acrescentou que a “chuva” de espectáculos começou quando foi convidado para actuar num show, na sua província, em que o artista gostou da sua performance. Decidiu então aperfeiçoar as suas técni- cas e assumir o papel de humorista.
Captura de ecrã 2015-05-11, às 12.38.53O humorista descreveu que foi em 2009, quando se mudou de Benguela para Luanda, ajudado pelos músicos Cage One e Nicol Ananás que teve a primeira aparição em público, no programa de Yuri Barata, denominado “Terça dos Artistas”.
Edgar Tchipóia fez menção a aparente apreensão por parte do público, quando subiu ao palco, o que o levou a sentir uma pitada de desconforto, pois não conhecia o público que o rodeava, ele cabado de chegar do interior.
“No princípio as pessoas pareciam não me verem, mas quando lancei a primeira e a segunda anedota a sala tornou-se num alvoroço, eram risos no público. Benvindo Magalhães veio ter comigo, trocamos os números de telefone e convidou-me a aparecer no programa “Tchilar”, nos tornamos grandes amigos, ele serviu de ponte para a minha ascensão no mundo do humor”, pontuou.
O artista contou que as suas piadas não têm título, e que as suas piadas são baseadas nas histórias que tem vivenciado no seu dia-a- dia. “Sou momentâneo, faço stand up comedy e se tiver que escrever as minhas piadas apenas rectifico as que tenho gravado e as estrutu- ro devidamente, porque me baseio no quotidiano”, esclareceu.
Entre a família e o humor Kotingo referiu que é no seio familiar onde tem encontrado o apoio nos momentos de nostalgia, apesar das dificuldades que tem encontrado no mundo da fama, em parte os assédios que enfrenta al- gumas vezes, o humorista revelou ser na família onde encontra forças para ultrapassar os desafios.
Enfatizou os problemas que têm acontecido no dia-a-dia, apelando à sociedade a cultivar o espírito de solidariedade. “Hoje as pessoas podem ver alguém a cair no chão e não se preocupam em ajudar, o que para mim é triste. Gostava é que as pessoas reflectissem sobre isso, é preciso ter amor ao próximo e criar hábitos de filantropia”, sugeriu.
Kotingo aconselhou a nova geração de humoristas, a optar pela união entre os artistas, pela originalidade e humildade, realçando que para se chegar ao sucesso é necessário que se mostre trabalho, e para tal é preciso dedicação.
Captura de ecrã 2015-05-11, às 12.38.35“A originalidade e a humildade são armas fundamentais para o sucesso, porque quem imita se limita e quem cria não esvazia” sublinhou. Explicando que passou por muitíssimas dificuldades; que fora convidado a participar num espectáculo, no qual era suposto subir ao palco às 19 horas, no entanto esperou até à meia-noite e acabou por não ser chamado.
“Houve músicos que me fizeram deslocar de Benguela para o Bié, com custos próprios, e ficar sem actuar. Fui abandonado, passei a noite ao relento, enfim. São várias as situações que vivi, mas devo dizer que aprendi, de algum modo, no final das contas tudo faz parte da nossa história, é o que nos tor- na humanos e me transformou na pessoa que sou hoje” desabafou.
Mesmo tendo nome no mercado, as coisas têm sido complicadas pa- ra o artista, exemplo desta realidade é a agressão que sofreu por parte de um suposto fã. Contou à VIDA que o incidente aconteceu quando ele se deslocou a um cyber café, onde trabalha um amigo, pois frequenta aquele local há já algum tempo, com intuito de levantar uns filmes que iria ver com a família.
“O indivíduo pediu-me um autógrafo, entretanto, passou a me filmar sem dar a conhecer. Não concordei com o gesto e pedi logo que apagasse à filmagem. O jovem ficou irritado com a minha atitude, começou a agredir-me verbalmente e depois fisicamente”, explicou Kotingo. E acrescentou que posto em casa, lembrou-se que havia deixado a pen-drive, motivo que o levou a regressar ao cyber café. “Encontrei 12 homens a mi- nha espera, bateram-me até desmaiar. Quando recuperei os sentidos estava deitado na cama da clí- nica, tenho sequelas até hoje, pois torci um dedo” lamentou.
METAS A ATINGIR
“O meu sonho é de me tornar num grande humorista, por isso comecei a ter aulas de dança. Estou a aprender o afro-house, pretendo aprender línguas nacionais e estrageiras e também estou a ter aulas de mímica” disse.
Ser um humorista completo é uma das metas do interlocutor. Relativamente ao seu disco de anedotas, o entrevistado revelou que tenciona fazer um trabalho que, embora sendo humorístico, seja algo sério. Portanto, pretende oferecer ao público apreciador um Cd e um DVD.